segunda-feira, 27 de março de 2023

Atores, atrizes e Histórias em Quadrinhos!



A criação de uma história em quadrinhos, desde a concepção da trama ao visual dos personagens é um tema que me fascina até hoje. É muito interessante - ao menos para mim! - descobrir de onde mestres como Jack Kirby, Bill Finger, Steve Ditko, Wally Wood e tantos outros foram buscar suas referências e inspirações. No que tange ao visual de heróis e vilões, muitos autores de HQ´s bebiam da fonte cinematográfica juntamente com uma série de outros elementos. Na presente postagem, falarei sobre alguns personagens inspirados especificamente em astros de cinema, alguns obviamente reconhecíveis - como o Nick Fury calcado nos traços de Samuel L. Jackson - e outros nem tanto (como o fato de Paul Newman ter servido de molde para Hal Jordan, o Lanterna Verde da Era de Prata). Abaixo, alguns exemplos.


David Niven / Sinestro



Um dos maiores inimigos de Hal Jordan sem dúvida é Thaal Sinestro, outrora seu aliado e proeminente membro da Tropa dos Lanterna Verdes. Criado por John Broome e Gil Kane, o vilão estreou nas páginas de Green Lantern Vol. 2 #7 (agosto de 1961) e teve o ator britânico David Niven [1910-1983] como inspiração. Broome e Kane não podiam ter escolhido melhor, pois David Niven era, ao mesmo tempo, a imagem da elegância e da fleuma britânica com uma pitada de humor sempre inteligente, sofisticado e mordaz. Só para citar alguns trabalhos memoráveis em que o talento de Niven brilhou: A Carga da Brigada Ligeira (1936), A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956), Morte Sobre o Nilo (1978), entre muitos outros. Os traços do ator também lembram outro importante personagem dos quadrinhos: o mordomo Alfred Pennyworth. Seria interessante assistir um filme do Batman entre o final da década de 1970 e começo de 1980 com Niven no papel, mas, infelizmente, isso ficou apenas como exercício de imaginação. Vale lembrar que o nêmesis de Hal Jordan já apareceu em uma produção live-action, interpretado com muita competência pelo também inglês Mark Strong (com certeza o único acerto do famigerado Lanterna Verde protagonizado por Ryan Reynolds em 2011).






Audrey Hepburn / Julia Kendall



Quem conhece quadrinhos italianos - os maravilhosos fumetti, como são chamados em seu país de origem -, sabe que Julia Kendall é uma especialista em criminologia, a qual leciona na Universidade de Garden City e atua como consultora para a polícia local. Em aventuras instigantes, de altíssimo nível e em um belo preto e branco, o leitor tem a sensação não de acompanhar uma história em quadrinhos, mas a de assistir uma boa série ou filme policial. O fumetti apresenta  referências cinematográficas em cada quadro, a começar pela protagonista, inegavelmente baseada na atriz Audrey Hepburn [1929-1993], famosa por trabalhos como A Princesa e o Plebeu (1953)Sabrina (1954), Bonequinha de Luxo (1961), só para citar alguns. Criada por Giancarlo Berardi em 1998, a classe de Hepburn e sua beleza singela encaixaram-se como uma luva para a criminóloga. Os apreciadores de uma boa HQ e de um bom audiovisual sabem que, ao terem uma aventura de Julia Kendall em mãos, irão se deparar com uma narrativa ímpar e uma série de rostos familiares baseados em atores e atrizes no elenco fixo de personagens, tais como: Lillian Osborne (Jessica Tandy), a avó que criou Julia e sua irmã quando seus pais morreram; Emily Jones (Whoopi Goldberg), a empregada amiga e confidente; o ranzinza Tenente Allan Web (John Malkovich), o qual nutre uma paixão secreta por ela; o simpático sargento "Big" Ben Irving (John Goodman); o mulherengo detetive particular Leo Baxter (Nick Nolte), um velho amigo de Julia; o veterano e incorruptível Capitão Clyde Carter (Morgan Freeman), entre muitos outros. Quem nunca leu, recomendo vigorosamente!





Sydney Greenstreet / Robert Middleton /Rei do Crime



A primeira aparição do Rei do Crime ocorreu em The Amazing Spider-Man #50 (julho de 1967), inicialmente como um antagonista de um certo Escalador de Paredes. Posteriormente, o criminoso passou a ser uma pedra no sapato do Demolidor. O personagem é uma criação de Stan Lee e de John Romita Sr. e sua concepção visual foi inspirada por dois atores volumosos: o britânico Sidney Greenstreet  [1879-1954] e o americano Robert Middleton [1911-1977]. Greenstreet teve uma carreira curta, mas esteve em alguns grandes clássicos, como O Falcão Maltês (1941) Casablanca (1942). Já Middleton, trabalhou mais para a TV, onde participou de vários seriados, tais como Os Intocáveis e Rawhide. Ambos empestaram a sua corpulência a Wilson Fisk. Curiosamente, a ideia original de Stan Lee era que Fisk fosse um chefão mafioso, mas a caracterização de Romita - cujo visual foi fortemente influenciado pelos atores citados - não lembrava alguém de ascendência italiana, o que fez com que, de mafioso, Fisk se tornasse um empresário inescrupuloso com vastas conexões no submundo criminoso de Nova Iorque. Fisk já foi vivido em tela pelo ator inglês John Rhys-Davies, no telefilme O Julgamento do Incrível Hulk (1989), e por Vincent D´Onofrio na série do Demolidor (2015-2018) produzida pela Netflix.



Sidney Greenstreet


Robert Middleton



Sting - John Constantine 


O cínico ocultista inglês John Constantine - criado por Alan Moore, Stephen Bissette e John Totleben - surgiu como um coadjuvante do Monstro do Pântano em Swamp Thing #37 (julho de 1985). O visual do personagem teve inspiração no líder da banda The Police, Sting. Nas telas de cinema, foi vivido por Keanu Reeves em 2005, em mais uma adaptação de quadrinhos que faz tudo exceto ser minimamente fiel à fonte (a começar por Reeves, o qual não tem absolutamente nada a ver com o Constantine dos quadrinhos). Um pouco mais fiel - ao menos no visual -, o anti-herói foi vivido por Matt Ryan em uma série televisiva, entre 2014-2015. Com o cancelamento desta, recebeu uma nova chance em Lendas do Amanhã, ao lado de outros personagens menores da DC Comics.





Howard Hughes - Tony Stark


O Homem de Ferro estreou em Tales of Suspense #39 (março de 1963), criado por Stan Lee, Jack Kirby, Don Heck e Larry Lieber. Bilionária graças ao seu gênio inventivo, as empresas Stark produziam armamento e munições, razão pela qual Stark participou de uma apresentação no Vietnam. Após ser atingido pelos estilhaços de uma granada - os quais ficaram alojados próximos ao seu coração -, foi capturado pelo exército vietnamita e obrigado a fabricar uma arma para eles. Stark enganou seus captores e criou uma armadura capaz de mantê-lo vivo e com poder de fogo suficiente para que puedesse escapar. Com a distância da Guerra do Vietnã ao longo das décadas, a origem do personagem sofre inúmeros revisionismos ao longo do tempo. Tanto no visual quanto no brilhantismo, Tony Stark teve como molde o aviador, engenheiro aeronáutico e produtor cinematográfico Howard Hughes [1905-1976]. A genialidade de Hughes, seu sucesso nos negócios e a longa lista de belíssimas mulheres que ele namorou também inspiraram o lado playboy do pesonagem nas HQ´s. Nas telas de cinema, Tony Stark contou com o carisma de Robert Downey Jr. para lhe dar vida. 







Samuel L. Jackson - Nick Fury


Antes de mais nada, vale salientar que o Nick Fury original - criado por Stan Lee e Jack Kirby - é caucasiano e estreou nas páginas de Sgt. Fury and his Howling Commandos #1 (maio de 1963). A versão popularizada nos filmes da Marvel, protagonizada pelo excelente Samuel L. Jackson - astro de filmes como Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994), Corpo Fechado (2000) e Django Livre (2012) -, surgiu nas páginas da revista The Ultimates #1 (março de 2002), com roteiros de Mark Millar e arte de Bryan Hitch. Para a nova linha de HQ´s, a qual se propunha a apresentar origens mais contemporâneas dos personagens da Marvel, Millar decidiu dar ao diretor da SHIELD o rosto de Samuel L. Jackson, o qual não se opôs contanto que fosse ele próprio a interpretar o personagem caso a obra, um dia, chegasse às telas. E assim foi! Curiosamente, Nick Fury: Agente da SHIELD (1998) apresentou a versão clássica de Fury em um telefilme para lá de sofrível, interpretado por David Hasselhoff (da série dos anos 1980, A Supermáquina).








Conrad Veidt - Coringa



O principal inimigo do Cavaleiro das Trevas estreou nas páginas de Batman #1 (abril de 1940), com  visual inspirado no ator alemão Conrad Veidt [1893-1943] em sua caracterização para o filme mudo O Homem Que Ri (1927). Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson dividiram os créditos na concepção do vilão, muito embora, até hoje, o tema seja um pouco controverso. Bob Kane afirmara em entrevista que ele e Bill Finger haviam criado o Coringa sem a participação de Robinson. A contribuição de Robinson - de acordo com Kane - resumira-se à apresentação de uma carta de baralho, a qual, posteriormente, passara a ser uma espécie de cartão de visita do personagem. Entretanto, Robinson dissera em outra entrevista que ele levara uma ilustração do Coringa para uma reunião, na qual Finger, um cinéfilo de carteirinha, teria encontrado semelhança entre o desenho e Gwynplaine, vivido por Veidt no referido filme. A reputação de não ter sido muito honesto pertence a Bob Kane, mas o fato é que ambos têm versões plausíveis. Seja como for, Veidt teve forte influência na criação visual do Palhaço do Crime. Astro do cinema mudo, Veidt tornara-se famoso no chamado expressionismo do cinema alemão e fez a transição para o cinema falado em filmes como Sombra do Passado e Casablanca, ambos de 1942.





Paul Newman - Hal Jordan


Concebido por John Broome e Gil Kane, o Lanterna Verde Hal Jordan estreou na revista Showcase #22 (outubro de 1959). Um aviador ousado e sem medo de correr riscos, Jordan recebeu o anel de energia do moribundo alienígena Abin Sur e se tornou o Lanterna Verde da Terra (ou do Setor 2814, conforme definido nas aventuras do herói). Posteriormente, ele foi integrado à Tropa dos Lanternas Verdes, uma força policial intergalática criada pelos guardiões do Universo. A aparência original do personagem teve o ator Paul Newman [1925-2008] - de filmes como O Indomado (1963), Butch Cassidy (1969) e  Golpe de Mestre (1973) - como inspiração







Sidney Poitier - John Stewart


John Stewart foi o primeiro afroamericano a integrar a Tropa dos Lanternas Verdes e muitos anos antes de a pauta "representatividade" virar moda. Criado pela dupla Dennis O´Neil e Neal Adams, Stewart estreou em Green Lantern #87 (dezembro de 1971) como substituto para Hal Jordan na Tropa dos Lanternas Verdes. O´Neil e Adams, aliás, foram os responsáveis por uma fase de ouro do Lanterne Verde (Hal Jordan), cujo título passou a abrigar o Arqueiro Verde e a temática girou em torno da descoberta das mazelas da América quando os dois amigos decidem pegar a estrada e muitas vezes entram em confronto graças ao contraste entre as personalidades de Jordan (um conservador) e Oliver Queen (um liberal). Deste forma, de acordo com o relato de Adams a respeito de uma conversa com o então editor Julius Schwartz, estava na hora de a Tropa dos Lanternas Verdes ter um homem negro em suas fileiras, porque dada a composição racial da população mundial era algo que fazia total sentido. E quem melhor do que Sidney Poitier [1927-2022], na época com 44 anos, para inspirar na concepção visual do novo herói? Poitier pode ser visto em clássicos como Acorrentados (1958), Ao Mestre com Carinho (1967) e Adivinhe Quem Vem para Jantar? (1967). 







Shang Chi - Bruce Lee


Shang Chi foi criado por seu pai, Fu Man Chu, por quem tinha grande respeito e admiraçãao por acreditar ser um grande homem. Treinado em artes-marciais para ser uma arma viva, um dia seu pai o incumbiu de matar um velho inimigo, Dr. Petrie. Shang aceitou contrafeito a missão e, após concluí-la, descbriu que o pai não era quem ele pensava. Posteriormente, descobriu que não tinha matado Petrie e faz uma aliança com ele e Sir Nayland Smith, outro antigo inimigo de Fu Man Chu e membro do MI6. Criado por Steve Englehart e Jim Starlin, Shang Chi é baseado em Bruce Lee, cuja fisionomia, físico e até as cenas de luta influenciaram fortemente na concepção do personagem. A estreia de Chi ocorreu em Special Marvel Edition #15 (dezembro de 1973) e traz uma história de bastidores curiosa. Englehart e Starlin queriam adaptar a série Kung Fu (1972-1975), protagonizada por David Carradine. Todavia, a Marvel não obteve autorização da Time Warner, proprietária desde 1969 de sua concorrente direta, a DC Comics. Como filmes de artes-marciais estavam em alta, a ideia, ao invés de completamente descartada, foi transformada. A Marvel adquiriu licença de uso de Fu Man Chu, vilão da lietaratua pulp criado por Sax Rohmer. Além dele, outras criações de Rohmer, como Sir Denis Nayland Smith, Dr. James Petrie e Fah Lo Suee foram utilizadas ao lado de Shang Chi, um personagem totalmente novo, cuja semelhança com Lee foi mais evidenciada no traço dos artistas Mike Zeck e Paul Gulacy.








Chuck Norris - Punho de Ferro


O Punho de Ferro estreou em Marvel Premiere #15 (maio de 1974) e é mais um personagem a surfar na onda da popularidade dos filmes de artes-marciais, sobretudo os protagonizados por Bruce Lee. Daniel Rand é o portador do Punho de Ferro, uma força mística a qual lhe permite convocar e concentrar seu chi. Rand foi treinado em artes-marciais na cidade de K´un-Lun, onde poderia ser imortal, mas decidiu abandonar a cidade - a qual aparece na Terra a cada 10 anos - para se vingar do assassino dos seus pais. Além de um título solo, o personagem dividiu com Luke Cage o título Power Man and Iron Fist. Criado por Roy Thomas e Gil Kane, John Byrne se baseou nas feições de Chuck Norris durante a sua passagem pela revista. Norris, aliás, trabalhou em O Voo do Dragão (1972) e Jogo da Morte (1978), ambos estrelados por Bruce Lee.








Tiração de sarro!


O mundo dos Quadrinhos também é permeado por egos inflados e há histórias famosas de artistas que não se davam bem, muito embora tenham tido parcerias produtivas das quais resultaram alguns de seus melhores trabalhos. Stan Lee e Steve Ditko tiveram várias divergências quando trabalharam juntos em Homem-Aranha, o que levou Ditko a abandonar a Marvel. Com Jack Kirby, Lee experimentou uma relação de amor e ódio, porque Kirby ressentia-se por acreditar  não receber o devido valor e o colega colher todos os louros do seu trabalho. Chris Claremont e John Byrne foram responsáveis pela melhor fase dos X-Men nos quadrinhos, mas à medida que Byrne recebia mais espaço para opinar nos roteiros, a relação entre os dois azedou. Por causa do despótico chefão da Marvel, Jim Soother, o mesmo Byrne deu as costas à "Casa das Ideias" e só retornou com a demissão dele. Estes são somente alguns exemplos mais famosos. O engraçado é quando a guerra pessoal ganha os quadrinhos como forma de "homenagem", como certa vez fizera Jack Kirby e John Byrne. Vejamos abaixo.


Jack Kirby e Stan Lee tinham uma relação de amor e ódio!



Stan Lee e Roy Thomas - Funky Flashman e Houseroy


Jack Kirby e Stan Lee foram parceiros criativos altamente produtivos. Não à toa, pode se dizer que criaram juntos o universo Marvel. Todavia, nem tudo eram flores. Kirby ressentia-se por não receber o crédito devido, enquanto Lee parecia levar todo o mérito, pois tinha uma personalidade exuberante que contrastava com a timidez de Kirby. Insatisfeito, Kirby saiu da Marvel para trabalhar para a "Distinta Concorrência" no começo da década de 1970, onde criou obras-primas que ressoam até hoje (mas isso é assunto para outra postagem). Quando escreveu e desenhou Mister Miracle #6 (janeiro de 1972), aproveitou para dar vazão ao seu ressentimento e apresentou os personagens Funky Flashman e seu mordomo bajulador Houseroy, respectivamente representações de Stan Lee e do roteirista Roy Thomas. Flashman é retratado como um oportunista, o qual torna-se o agente do Sr. Milagre, o rei das fugas espetaculares. É impossível não rir ao ver a arte de Kirby como uma sátira mordaz a seus desafetos. 







Jim Shooter - Sunspot

John Byrne foi um dos grandes criadores dos quadrinhos na década de 1980. Sua reformulação do Super-Homem, sua passagem pelo Hulk e pelo Quarteto Fantástico são alguns dos trabalhos ainda presentes na memória afetiva dos fãs. Todavia, Byrne nunca foi alguém fácil de se trabalhar. Dono de um gênio intempestivo, o então presidente da Marvel Jim Shooter foi mais um dos seus desafetos. Por sua vez, Shooter era igualmente difícil, autoritário e despótico em sua função. Tanto que Byrne saiu da Marvel e foi trabalhar para a DC brigado com ele em pleno andamento da revista Star Brand (aqui batizada Estigma), personagem concebido por Shooter para a iniciativa batizada Novo Universo marvel. Na "Distinta Concorrência", Byrne ilustrou a minisérie Lendas (1987), roteirizada por John Ostrander. Nela, aproveitou para ridicularizar Shooter - na edição 5 - e o retratou como o vilão Sunspot (uma paródia do Estigma), o qual é humilhado pelo Lanterna Verde Guy Gardner. Com a demissão do egocêntrico Shooter, Byrne retornou a Marvel posteriormente, para logo abandoná-la novamente após brigar com mais alguém. 




sábado, 31 de outubro de 2020

O Homem do Amanhã: o reinício de um universo!



Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips (2020) foi o último filme do universo animado DC, simbolizado por um desfecho catastrófico no qual o Flash vê como única alternativa voltar no tempo para tentar consertar tudo (e sabe-se que, quando ele faz isso, a emenda sai pior que o soneto...). A pá de cal sobre o antigo universo - e seu consequente "reboot" - se deu pela abordagem fortemente influenciada pela fase dos quadrinhos intitulada Os Novos 52!, o que não caiu no gosto do público. Foram 16 filmes lançados entre 2013 e 2020, títulos como O Filho do Batman (2014), Liga da Justiça: Guerra (2014), Jovens Titãs: O Contrato de Judas (2017), entre outros. O Homem do Amanhã marca o início de um novo universo, com espaço para uma nova abordagem criativa, o que pode ser percebido pelo visual adotado, mais suavizado e com uma personalidade própria, um tanto diferente do "layout Novos 52", cujo design parecia ser sempre o mesmo a cada nova produção. Ainda não se sabe, porém, se a narrativa se passará em um universo coeso (compartilhado) ou se cada longa terá sua própria história fechada, sem ter necessariamente uma relação com os demais. Seja como for, as primeiras impressões sobre Superman: Man of Tomorrow parecem ter sido um tanto positivas.


O novo ponto de partida!


Dirigido por Chris Palmer (Voltron: O Defensor Lendário) e roteirizado por Tim Sheridan (Justice League Action), o filme mostra um Super-Homem em início de carreira, inseguro quanto a seu lugar no mundo e sem nada saber sobre suas origens. Após um breve prólogo em Smallville, quando, ainda criança, Clark Kent descobre o pavor que ser alienígena causa nas pessoas ao redor, o vemos já adulto, em uma coletiva de imprensa dos Laboratórios STAR em Metrópolis. Clark é estagiário do Planeta Diário e é tratado por todos como "o garoto do café", dada a sua função de levar café a seus colegas. Ele presencia Lois Lane, a estrela do Jornal - sempre chatinha e excessivamente segura de si! -, desmascarar Lex Luthor e levá-lo à prisão. 




Repentinamente, surge Lobo, um caçador de recompensas alienígena, violento e cheio de marra. Ele veio à Terra em busca do último kryptoniano, o que faz com que o tímido repórter dê lugar a seu alter ego fantasiado, ainda sem o tradicional "S" no peito, mas trajado com uma capa vermelha e uma máscara de aviador no rosto a fim de ocultar sua identidade (uma sacada interessante e diferente em termos das animações da DC / Warner!). Em meio ao combate, Lobo revela a ele algumas informações sobre sua herança kryptoniana e, pela primeira vez, o futuro Super-Homem descobre sua vulnerabilidade à uma certa pedra verde irradiada (incrustada em um anel usado pelo "Maioral"). O herói também conhece o Caçador de Marte, outro alien na Terra, oculto nas sombras e receoso de se revelar à humanidade. 




Mas eis que entra em cena o Parasita, um ex-funcionário dos Laboratórios STAR o qual sofreu um acidente e tornou-se um monstro sugador de energia. No clímax da obra os preconceitos contra o Super-Homem, o Caçador de Marte e até mesmo contra o Lobo são confrontados com o fato de o verdadeiro monstro ser humano (o Parasita) e não um ser de outro planeta. A metáfora para o preconceito racial é sutil e altamente pertinente no atual contexto, o que torna Superman: O Homem do Amanhã ainda mais interessante.  




Espera-se que o sucesso da animação também abra espaço a outros personagens da Editora, dona de um panteão formidável de heróis e vilões, com possibilidades inesgotáveis para novas histórias. Afinal, nem só de Batman e Super-Homem vive a DC / Warner!


Superman: O Homem do Amanhã

Título original: Superman: Man of Tomorrow

Ano de lançamento: 2020

Direção: Chris Palmer

Elenco de vozes: Darren Criss (Clark Kent / Superman), Ike Amadi (Caçador de Marte), Ryan Hurst (Lobo), Brett Dalton (Parasita / Rudy Jones), Alexandra Daddario (Lois lane), Zachary Quinto (Lex Luthor), Eugene Byrd (Ron Troupe), Piotr Michael (Perry White), Neil Flynn (Jonathan Kent), Bellamy Young (Martha Kent)